Pesquisar

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Jornalismo e os perigos da profissão


 Conheça a vida de José Hamilton, repórter que perdeu uma perna na guerra do Vietnã

A pressão exercida sobre jornalistas os obriga a encontrar com rapidez acontecimentos que causem interesse, e para os repórteres de guerra a pressão é ainda maior, principalmente quando o assunto é cobertura de guerra, já que é um trabalho perigoso e que gera audiência e curiosidade do público envolvido na comunicação.

José Hamilton na palestra da Uninove (Foto: Safira Caetano)
O repórter é encarregado de viajar para regiões que estão em conflito, de tal modo que venha acompanhar a ação e assim produzir vídeos, fotos e entrevistas para construir a reportagem respectiva, como exemplo o irlandês Willian Russel, que é citado como o primeiro correspondente de guerra moderno, conhecido pelo seu trabalho na Guerra da Crimeia.

 

O número elevado de mortes dos profissionais dessa área, mostra o quão perigoso é a profissão, como mostra a estatística dos anos de 2005 a 2015, onde 787 jornalistas morreram durante o exercício de suas profissões, segundo a ONG. Vale ressaltar que o Iraque está inserido na lista que mais ocorreu tragédias com os comunicadores.

Para o jornalista José Hamilton, que estudou na faculdade Cásper Líbero e já passou pela editora Abril e TV Tupi e ainda fundador da revista Globo Rural,os jornalistas optam cobrir uma guerra mesmo com riscos de morte e desvalorização da profissão, por se tratar "de vaidade, espírito de aventura e ambição profissional, além de muito compromisso entre romântico e missionário que todo jornalista leva consigo de estar onde a notícia estiver, para denunciar a injustiça, a iniqüidade, o preconceito, o uso abusivo da força, do dinheiro e do poder, seja ele militar, econômico, político ou de patrulhamento”.

O jornalista brasileiro que mais acumulou prêmios Esso, tem a sua trajetória contada num livro de Arnon Gomes chamado “O jornalista mais premiado do Brasil: a vida e as histórias do repórter José Hamilton Ribeiro”, que inicialmente era um trabalho de conclusão de curso em jornalismo e depois de ser reescrito duas vezes, virou uma obra literária.


Zé Hamilton gravemente ferido na guerra do Vietnã (Foto: Kei Shimamoto)
José Hamilton relembrou, em uma palestra feita na Universidade Nove de Julho, do dia em que perdeu a perna esquerda ao pisar numa mina enquanto cobria a guerra do Vietnã. "A gente [soldados americanos e um grupo de jornalistas] participava de patrulhas em busca do inimigo, o vietnamita comunista. Mas a sucessão de minas, de explosões foi tamanha que desorganizou a formação. A certa altura, um soldado e eu corremos para socorrer um outro soldado americano, que tinha sido atingido e estava gritando de dor, e os enfermeiros [da operação] já estavam cuidando de outros casos. Nessa caminhada, houve uma explosão muito grande, o mundo acabou à minha frente, uma fumaça muito preta, uma escuridão muito grande. A sensação que eu tinha é que a bomba tinha explodido no soldado que estava à frente, não em mim.Só quando se desgastou essa fumaça, quando vi o soldado inteiro, em pé, com os olhos esbugalhados, com a expressão de horror diante do que ele estava vendo... Olhei para baixo e percebi que estava escorregando uma 'torneira de sangue'", relatou Zé Hamilton.
Foram muitos heróis que estiveram em meio ao caos participando de guerras que tiraram suas vidas, e outros que sobreviveram para contar histórias que até hoje são inspirações para os corajosos aventureiros que pretendem um dia seguir essa profissão. De fato, um repórter de guerra é um exemplo de bravura e admiração.

A seguir, áudio com a opinião do jornalista Alan de Castro sobre os repórteres de guerra:

Nenhum comentário:

Postar um comentário